24 de junho de 2013

CONVULSÃO SOCIAL - A HISTÓRIA SEMPRE SE REPETE Rio 20/06/2013

OU QUEM SERÁ O NOVO "LOPES TROVÃO"?
Todos sabem dos movimentos de insatisfação que mobilizaram milhões de brasileiros, muitos deles indo as ruas das principais capitais do País. O estopim, ou melhor, a oportunidade foi motivada pelo aumento das passagens no transporte público urbano. Nesse post vou apenas analisar a extensão do protesto limitando-o ao estado do Rio de Janeiro. 
Uma das principais reivindicações é no mínimo, contraditória. Um povo corrupto clamando por políticos que não fossem corruptos. A corrupção faz parte da nossa cultura, isso é fato. Independente das urnas provavelmente serem "batizadas" os políticos fazem parte do povo também. Portanto, a cultura de corrupção também está arraigada neles. 
No dia 17/06/2013 o Brasil foi as ruas movido de forma inédita pelas redes sociais. O Rio de Janeiro lotou a principal avenida do centro da cidade, atingindo um total de 100.000 pessoas protestando contra o aumento da tarifa do transporte público, assim como tantas outras reivindicações como projetos de leis e projetos de emendas constitucionais obscurantistas que teoricamente corroboram para a impunidade, tornando o poder legislativo soberano em uma verdadeira "panela" onde legisladores teriam a liberdade de sugar as riquezas do país de maneira impune sem serem importunados pelos fiscais do judiciário. Se esses projetos forem aprovados, creio que haverá uma nova revolução e, consequentemente, uma intervenção estrangeira. Um assunto delicado demais que explicarei em um post futuro. Esse post é para falar do comportamento do governo e dos manifestantes, especificamente no Rio de Janeiro.
Antes de narrar os fatos presentes, é pertinente olharmos para o passado e constatarmos que o homem não muda e a história sempre tende a se repetir. Para reforçar essa corrente e afastarmos acusações de determinismos, recorro a fons et origo: Um artigo impecável publicado na Revista Brasileira de História em 1991, vol.10, nº20. Trata-se do artigo de Sandra Lauderdale Graham intitulado: O MOTIM DO VINTÉM E A CULTURA POLÍTICA DO RIO DE JANEIRO 1880.
Adscriptio: Ironia ou não, um vintém valia vinte réis e constituía a menor moeda do Império. mas não eram por apenas vinte réis da mesma forma que hoje não são por vinte centavos que o povo convulsiona!
Narrarei as partes que considero relevantes para a construção do pensamento desse post. Ei-las:
"Atos de revolta marcaram os primeiros dias do ano de 1880 no Rio de Janeiro. (...) O Motim do vintém ocorrido no primeiro dia de janeiro de 1880... significa a transformação da cultura política. Pela primeira vez em mais de quarenta anos, respeitáveis habitantes da cidade, mesmo que sem posição ou conexões políticas formais* (*grifo meu), participaram de demonstrações populares de protesto. (...) Estabelecido pelo Parlamento em outubro e destinado, num momento de crise financeira nacional, a incrementar as receitas governamentais, o Imposto sobre as passagens de bondes inseria-se numa série de medidas que recaíam especificamente sobre os habitantes urbanos. (...)Lopes Trovão e outros programaram, por meio de panfletos espalhados por toda a cidade, um segundo comício previsto para o 1º de Janeiro, quando o novo imposto começaria a ser cobrado. Só que agora, em lugar de requerer a sua revogação, conclamavam os passageiros a boicotar o pagamento, assim, abertamente desafiando a lei. O segundo comício não se dirigiu a um imperador intransigente, mas diretamente ao povo. (...) A segunda manifestação, por volta do meio dia, reuniu aproximadamente 4 mil participantes e resultou, outra vez, numa passeata de protesto. Da praça (Largo do Paço), eles seguiram através da área mais comercialmente ativa do Rio de Janeiro, repleta de lojas sofisticadas, em direção ao Largo de São Francisco* (*Berço da Filosofia da UFRJ criado nos anos 60 do século passado, representante clássico e eterno bastião de luta popular), de onde partiram todos os bondes do centro. A um quarteirão do seu destino, porém, na esquina das ruas Uruguaiana e Ouvidor, a multidão dividiu-se em vários grupos; dois ali permaneceram, enquanto outros prosseguiram para o Largo São Francisco ou dispersaram-se por outras regiões da cidade. Se agiram desta maneira espontaneamente, ou se fizeram de acordo com um plano previamente traçado, continua a ser uma questão sem resposta."
Adscriptio: Fodão, anyway. Ganhou o selo: Carl Von Clausewitz!
(...) "De qualquer forma naquele momento cessou o protesto PACÍFICO, e a violência foi detonada. Os amotinadores arrancavam trilhos, esfaquearam mulas e viraram os carros, que pertenciam a diversas linhas diferentes. Dispararam tiros e espancaram condutores. Com a chegada de cada bonde, o tumulto recrudescia. Os carros tombados, reforçados com paralelepípedos e pedaços de trilhos, serviram de barricadas nas esquinas da rua Uruguaiana com Ouvidor e Sete de Setembro. No final da tarde, as companhias de bondes suspenderam todo o serviço.
A polícia, mal sucedida na tentativa de conter os amotinadores juntou-se a mais de 600 soldados de infantaria e cavalaria de exército para enfrentá-los na rua Uruguaiana. As ordens do comandante eram de tomar as barricadas e de quebrar a resistência, dispersando, dessa forma, os revoltosos. Para tanto, ordenou que a cavalaria atacasse a multidão. Soldados avançavam para as barricadas, espadas desembainhadas. Alguns dispararam tiros. Ao mesmo tempo, no Largo de São Francisco, a cavalaria fez carga contra um grupo de manifestantes que procurava obstruir a passagem dos bondes. A chuva, tanto quanto o exército, acabou por esvaziar as ruas, e antes das onze horas da noite a cidade estava novamente tranquila. (...) Enquanto os médicos tratavam dos quinze ou vinte feridos, três homens jaziam mortos na rua Uruguaiana. O Motim do Vintém tivera seus mártires. (...) Os participantes do comício, organizados para protestar contra o imposto, parecem ter sido pessoas alfabetizadas, decentemente trajadas e de rendimentos modestos mas regulares, como vendedores ou burocratas assalariados. (...) Seu protesto, muito provavelmente, não visava apenas a taxa extra sobre as passagens dos bondes, que seria de novos impostos diretos, que acentuavam a precariedade de sua situação social incerta.
Em contraste marcante com esses respeitáveis cidadãos, os responsáveis pelas agitações de 1º de Janeiro foram identificados, na época, como trabalhadores pobres, como membros "da classe baixa da nossa população", ou como "pessoas de pouca importância". Além disso os três homens mortos durante a confusão nas ruas foram descritos como imigrantes desordeiros, procurados pela polícia, dois dos quais para serem deportados segundo o relatório do secretário de polícia do Rio de Janeiro, Publicado no Jornal do comércio em 8 de Janeiro de 1880".
Coincidência ou não, voltemos aos dias atuais...
O fato é que depois de 21 anos de inércia, o povo foi as ruas para protestar. Mas diferente das demais convulsões populares, o movimento é teoricamente apartidário, uma vez que foi provocado por uma convocação maciça das redes sociais. Mas quem pagou o carro de som? Quem pagou os panfletos que não eram cartazes confeccionados pelos populares? Após o movimento espontâneo seguir tranquilamente até a Cinelândia onde o pessoal deveria dispersar, um grupo (e eu identifiquei bandeiras anarquistas) se dirigiu a Assembleia Legislativa, local de trabalho dos deputados do Rio de Janeiro.
A Assembleia Legislativa possui como ícone uma estátua de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), tido como mártir esquartejado por aqui, mas sabe-se que exilou-se em Portugal para viver seus últimos dias com sua guilda de maçons. É uma piada de mau gosto tal estátua estar à frente do prédio onde os deputados promovem suas leis, mas ao mesmo tempo tem a assinatura do Brasil; deboche.
Chegando lá, uma turba enfurecida formada por toda sorte de gente, desde proletários oprimidos,  oportunistas, incitadores, estudantes e até trabalhadores "engomadinhos". A turba atacou impiedosamente os policiais que ali estavam para proteger o patrimônio. Aos gritos de "uh, vamos invadir" além de morteiros e coquetéis Molotov, a turba avançou sobre a polícia que estava sem munição não letal para dispersar a multidão enfurecida. Segue o vídeo:
Os policiais acuados não tinham o que fazer senão recuar. Por não possuírem armas não letais optaram por dar tiros para o alto a esmo. Alguns tiros foram em direção a turba enfurecida, atingindo pelo menos um manifestante, professor de Geografia, na cabeça. Segue o vídeo:
Aos gritos de "Amanhã vai ser maior" a multidão a muito custo se dispersou e quando o Batalhão de Choque da polícia militar chegou por volta das 23:47h os manifestantes haviam saído do local. No dia seguinte, os principais jornais do Mundo noticiaram o protesto que atingiu as principais capitais do Brasil. A imagem da capa do New York Times era a de uma mulher, estudante de Artes Plásticas da UFRJ, que havia levado uma "apimentada" no rosto. Foi presa por formação de quadrilha e solta após fiança de R$2000,00.
Sgt Pepper's
Com a sensação de vitória os grupos das redes sociais marcaram uma nova manifestação, exaltando o cunho pacífico e repudiando a violência de uma minoria que reproduzia tão somente o "comportamento de manada" exaustivamente estudado por Gustave Le Bon.
Na véspera da manifestação o prefeito Eduardo Paes anunciou a redução do preço das passagens não sem mencionar que não retiraria esse valor do pró-labore dos donos das empresas, mas da saúde e educação pública. Novamente privilegiando o privado no lugar do já sucateado público. O prefeito usou um problema como oportunidade e usando de mais um ardil, declarou ponto facultativo a fim de esvaziar a manifestação.
Nesse mesmo dia chegaram os suprimentos de munição não letal e em uma reunião entre governo e prefeitura, foi decidido mostrar uma postura contra a manifestação com uma armadilha àqueles manifestantes que se diziam pacíficos.
Alerj vandalizada
O resultado do vandalismo saiu bem mais caro que poderíamos imaginar (custo pra lá de duvidoso, mais um deboche contra o povo). E decerto que saiu do nosso bolso o conserto.
Dessa vez a manifestação mudou a rota. Ao invés de seguir tradicionalmente pela Avenida Rio Branco, a manifestação seguiu em direção à Prefeitura como foi feito em São Paulo e demais capitais do País. Essa atitude foi vista como uma afronta à gestão pública que estava antes irredutível quanto a redução dos preços das passagens. A polícia que tem como principal função proteger os interesses do Estado seria convocada e dessa vez (em virtude da covardia do dia 17/06/2013 queria dar o troco porque passou a ter um caráter pessoal) teria munição a vontade. A cúpula da polícia e do Estado Maior foi convocada para proteger a prefeitura. Na manhã do dia 20, dia da manifestação, eu vi o Regimento Andrade Neves (Cavalaria do Exército) se dirigindo a prefeitura e em vários pontos da cidade, viaturas da guarda nacional estavam de prontidão. Pensei: "Vai dar merda, com certeza".

Trabalhei normalmente e fui na manifestação para ver quem estava por trás dessa mobilização e novamente eu vi o carro de som. Se o movimento é apartidário, QUEM PAGOU O CARRO DE SOM???
Se é apartidário, por que milhares de panfletos de material caríssimo protestando contra a PEC 37?
A certeza de que iria dar merda veio de manhã quando despretensiosamente o Governador afirmou de maneira categórica que havia traficantes infiltrados na manifestação. 10 minutos depois, outra notícia dizia que os bancos de todo o centro da cidade, inclusive da cinelândia onde não haveria protestos, colocaram tapumes para proteger suas agências. Medo era a palavra que me acompanhava porque as minhas suspeitas se concretizavam a cada notícia despretensiosa.
Chegando lá eu vi um verdadeiro carnaval que nada tinha a ver com uma proposta política concreta!
Cartazes bizarros com reivindicações de cunho meramente irreverente como por exemplo: "Eu não quero cura, eu quero rola"!
Honestamente, isso era pra ser uma luta. Mas o lugar estava abarrotado de crianças, o que me preocupou bastante. Tinha um cara fantasiado de Batman. Tinha um Zé Carioca. Pessoas comprando a máscara do Vendetta 3 por R$25,00 sem saber sequer sua representatividade. Pessoas consumiam essa bosta, além de pipoquinhas e demais guloseimas. Se o cara do carrinho de pipoca não tem medo do povo, pensei: esse pessoal acha que o prefeito ou o governador tem? Sem essa de "pacífico". Isso é o q a mídia massacra insistentemente para nos imputar um comportamento de "cordeirinhos". Não estou incitando a violência, nem quero briga. Mas penso que vale mais 50 mil com disposição pra resistir em frente à prefeitura (sem destruir patrimônio público ou privado) gritando palavras de ordem que meio milhão de pessoas com crianças como se fosse um "domingo no parque". Se o objetivo é bater recorde de público, estou fora. Se for pra resistir, mesmo apanhando, faz parte do papel político de um povo que quer mudança. E não postar fotos para facebook.
A bandeira de "não ter bandeira, não ter partido" é um tiro no pé, pois o povo precisava de liderança. Liderança para conter a baderna, liderança para negociar e dar representatividade ao movimento. Sem isso, é fácil desbaratar até mesmo meio milhão de pessoas.
 A polícia fez o papel dela. Se foi sádica, essa é a sua natureza. O papel da polícia é proteger os interesses do Estado. Não gostou? Foda-se, pois é assim que funciona.
 Antes do carro de som partir, um policial civil subiu lá no carro só pra ficar de camisa de fora e se mostrar, vangloriando-se de ter levado dois tiros. Estava lá por vaidade para se mostrar para a mulherada. Não tem que dar voz a essa gente. E essa parada de senta, levanta parece homilia. Chato pra cacete. Estava tudo errado.
Seguem algumas fotos do carnaval que foi o início da manifestação:
Teve Xuxa Analfabeta:
Teve gente vendendo a máscara do Vendetta:
Teve o Bruce Wayne desafiando o comissário Gordon:
Teve até duendes e gnomos:

 Ah, e musiquinhas de maracanã não colam. Mais vale o "vem vamos pra rua" do Rappa e outras músicas que insuflam a multidão q o "Ilariê".
 Assim fica foda. Participei de muitas manifestações ao longo dos meus trinta e muitos anos, participando ativamente como estudante do CPII e UFRJ levei porrada de "pau mulato", aturei spray de pimenta (condenado pela Anistia Internacional, proibido em alguns países mas de uso indiscriminado no Brasil), lacrimogêneo (tear gas) e até tomei banho de "Tatuí". Era fundamental que o povo mudasse sua postura. Se for pra bater recorde de público, tô fora. Meu propósito não é micareta e penso que o do povo também não pode ser.
Foi uma covardia com a polícia o que fizeram na 2ª feira. 5ª veio o troco. Foi premeditado. O centro do Rio virou um "teatro de operações", onde o Regimento Andrade Neves (cavalaria do exército) e demais representantes da polícia e Estado Maior montaram uma armadilha. Tenho amigos na polícia que tem tanta raiva da globo quanto o resto da população. O Choque é a parte mais militarizada da polícia. Eles tem treinamento (muito ainda das eficientes formações do exército romano) e equipamento eficiente. Fizeram o trabalho deles. Todos sabemos das estreitas ligações (embora não seja possível comprovar) do governo com bandidos. Tenho a sensação que a infiltração de marginais foi deliberada. A quantidade de marginais na passeata era grande e assustadora.
A passeata se aproximava da prefeitura, então a merda começou.
Um amigo do INCA (que fica em frente a ACADEPOL) viu da sua janela os gritos de ordem do choque antes da partida do batalhão. Eles gritavam palavras de ordem enquanto 2 bombas de gás lacrimogêneo foram liberadas neles mesmos como forma de motivação. Vai mexer com um povo desse! De toda a ação do Choque eu só condeno 1. Jogar gás lacrimogêneo no Hospital Souza Aguiar. Foi a atitude premeditada e dolosa de um membro da polícia. Este (consciente do que estava fazendo), após saltar da moto fez a posição de "Torre" e deu 2 tiros em direção a emergência. O gás chegou à pediatria, no 7º andar. Crianças foram transferidas para a UTI no 10º por precaução. Guerra é guerra.
Veja a declaração de uma médica que estava de plantão no Souza Aguiar no momento da confusão:
"Estava de plantão hoje no Souza Aguiar. Hospital preparado para receber os pacientes graves vindos da manifestação. Vi jovens de bem com rombo no rosto feito por bala de borracha atirada pela policia. Nao foi só um. 
Plantão acaba as 20 Hs. Tentávamos sair quando de repente gritaria e fumaça entrando pelo hospital. O gás pimenta subiu pelas escadas ate alcançar a pediatria no sétimo andar do hospital. Arde tudo por dentro. 
O que e isso, gente???? Vários funcionários passaram mal. Mães e crianças aspirando aquele horror. No SÉTIMO andar!!!! Nos isolamos dentro do CTI. Conseguimos sair de lá as 22:15, passo pela Presidente Vargas que parecia vitima de um tornado. 
Agora chego em casa e acompanho na Globonews o que aconteceu na porta do hospital. Meia dúzia de manifestantes pedindo pra policia nao atirar porque ali era um HOSPITAL, e, mesmo assim, o despreparado policial se posiciona, mira e atira duas bombas!!!!!!!! O que e isso meu Deus???!!!!!!!As pessoas ali estão DOENTES!!!!!!"
A ação do Choque foi enérgica, eficiente e contundente.
Ironia do destino!
As mesmas pessoas que tiravam fotos para o facebook e aplaudiram o filme "tropa de elite" dizendo que "bandido bom é bandido morto" agora viam-se na mesma posição que um morador de favela com o privilégio de ser atingido por armas não letais. Estudantes eram perseguidos. A cavalaria do exército teve o aporte da cavalaria da polícia e do Bope com seus blindados que desbaratavam e empurravam os manifestantes cada vez pra mais longe da prefeitura, ganhando território na velocidade de uma Blitzkrieg.
Abaixo a imagem do "teatro de operações".
17/6 RIO BRANCO E ALERJ - 20/6 (VERDE) PRESIDENTE VARGAS E RODO NA LAPA E TODO CENTRO HISTÓRICO
Manifestantes pacíficos levavam uma sova. Enquanto as luzes eram apagadas para dificultar as imagens do helicóptero da Globo, que transmitia tudo da Globo News, os manifestantes apanhavam. Enquanto a polícia dava uma forra no povo, a Globo ficou cerca de 40 minutos mostrando as manifestações de Brasília. Era o tempo de desbaratar o movimento e "amaciar a carne". E foi a deixa para eu usar o "Bullet Time" desviando das balas e ir pra casa torcendo para que alguma das balas acertar a "Xuxa analfa", o "Batman" ou o "Duende".
Cheguei em casa em segurança, vestindo meu jaleco e andando devagar para me diferenciar da multidão aturdida. Passei incólume por cerca de 30 motos do Choque (todas elas com garupas armados).
Mais tarde, pessoas relatavam que estavam presas na Faculdade de Direito da UFRJ, assim como no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais também da UFRJ. Por ser área da União, a polícia não poderia entrar. Então o que estava controlado virou uma caça às bruxas.
Todos sabem que depois de qualquer evento, a rapaziada vai a Lapa para tomar uma cerveja. Todos inclusive a polícia. Entraram indiscriminadamente, sem saber se eram manifestantes ou não e atiravam contra as pessoas nos bares do entorno. A Lapa virou um inferno.
Mas no final das contas, meu medo maior ainda está vivo. A participação de traficantes (comandados ou não pelo governo) é pois, pra enfraquecer as manifestações justificando o estádio de sítio que colocará inevitavelmente o exército nas ruas.
Para finalizar, um vídeo sobre o "campo de batalha". Afinal, pra que servem as mídias sociais?

Eu postei esse post no dia 22/06 e no dia seguinte o retirei do ar por achar que algum membro da SSP poderia ficar chateado, mas penso que não feriria o orgulho de ninguém. Aqui está mais um testemunho de um carioca disposto a lutar por uma melhoria da qualidade de vida da cidade que incrivelmente atingiu o patamar entre as três mais caras do mundo.
Outras manifestações e posicionamentos de parte do governo foram tomados mas não é esse o foco da postagem e não tenho interesse em descortinar o cenário político nesse post. Fica para o próximo.
Até a próxima manifestação.

12 de junho de 2013

Discurso de Posse - O Poder da Retórica

Na série anterior, vimos a psicanálise e a propaganda como alguns dos mecanismos da manutenção e controle do status quo ou "democracia". Ontem eu vi o filme "Idiocracy" que mostra que muitas vezes um discurso pode mudar o curso da história a despeito da massa governada ser burra. É verdade também que em alguns casos, falar a verdade pode fazer mal a saúde, como suspeita-se ter acontecido com Kennedy, Martin Luther King Jr e tantos outros. Mas chega de falar dos estrangeiros. Falemos dos brasileiros. Não me refiro ao cotidiano porque a mídia se encarrega de nos chafurdar de frivolidades. Vou mostrar o poder da retórica através dos discursos.
Aqui eu não vou entrar na base exegética da retórica apontando a lógica, paixão ou costume (logos, pathos e ethos).
Separei o discurso de um presidente brasileiro. Não coloquei o discurso na íntegra porque ficaria fácil demais acertar o autor. Quero que analisem o discurso e me respondam se ele está certo em suas intenções e, principalmente, quem é o autor de tal discurso. Uma dica: ele é de uma família que teve participação ativa no Renascimento. Inclusive essa família, além de envolvimento com o papado, recebeu um certo livro de um tal Maquiavel.
Essa nobre senhora pertence à linhagem do referido presidente
Alguns trechos o discurso:

"Homens de meu País!
Neste momento eu sou a oferta e a aceitação.
Não sou promessa. Quero ser verdade e confiança, ser a coragem, a humildade, a união. A oferta de meu compromisso ao povo, perante o Congresso de seus representantes, quero-a um ato de reverdecimento democrático.
A aceitação da faixa presidencial, faço-a um auto de justiça e a confissão de minhas crenças.
Venho como sempre fui. Venho do campo, da fronteira, da família; venho do povo; venho de minha terra e de meu tempo.
Valho-me, ainda uma vez, do poeta augusto do meu Sul, para ver, no vento, o homem do campo de todo o Brasil — o homem que ninguém vê, sem face e sem história — aquela humildade mansa, que a vida vai levando na quietação do caminho abraçando a coxilha.
Homem do campo, creio no homem e no campo. E creio em que o dever desta hora é a integração do homem do interior ao processo de desenvolvimento nacional. E, porque assim o creio, é que tudo darei de mim para fazer a revolução no campo, revolução na agricultura, no abastecimento, na alimentação.
E sinto que isso não se faz somente dando terra a  quem não tem, e quer, e pode ter. Mas se faz levando ao campo a escola ao campo adequada; ali plantando a assistência médica e a previdência rural, a mecanização, o crédito e a semente, o fertilizante e o corretivo, a pesquisa genética e a perspectiva de comercialização. E tenho a diversificação e o aumento da produção agrícola, a ampliação das áreas cultivadas e a elevação da renda rural como essenciais à expansão de nosso mercado interno, sem o qual jamais chegaremos a ter uma poupança nossa, que nos torne menos dependentes e acione, com o nosso esforço, aliado à ajuda externa, um grande projeto nacional de desenvolvimento.
Homem da fronteira, creio em um mundo sem fronteiras entre os homens.
Sinto por dentro aquele patriotismo, aceso dos fronteiriços, que estende pontes aos vizinhos, mas não aceita injúrias nem desdéns, e não se dobra na afirmação do interesse nacional.
Creio em um mundo sem fronteiras entre países e homens ricos e pobres. E sinto que podemos ter o mundo sem fronteiras ideológicas, onde cada povo respeite a forma dos outros povos viverem.
Creio em um mundo sem fronteiras tecnológicas, onde o avanço científico fique na mão de todo homem, na mão de toda nação, abrindo-se à humanidade a opção de uma sociedade aberta.
Homem de família, creio no diálogo entre as gerações e as classes, creio na participação. Creio que a grandeza do Brasil depende muito mais da família que do Estado, pois a consciência nacional é feita da alma de educador que existe em cada lar.
E, porque assim o creio, é que buscarei fortalecer as estruturas de governos municipais e sub-regionais, provendo as comunidades do interior do saneamento básico indispensável à proteção da unidade familiar,
pedra angular da sociedade.
Homem do povo, creio no homem e no povo, como nossa potencialidade maior, e sinto que o desenvolvimento é uma atitude coletiva, que requer a mobilização total da opinião pública. E, porque assim o creio, e porque o sinto amadurecido para a tarefa global, é que buscarei ouvi-lo sempre.
Homem do povo, olho e vejo o trabalhador de todas as categorias e sinto que, normalizada a convivência entre empregados e patrões, e consolidada a unificação da previdência social, nosso esforço deve ser feito na formação e no aperfeiçoamento de mão-de-obra especializada e no sentido da formulação de uma política salarial duradoura, que assegure o real aumento do salário e não o reajustamento enganador.
Homem do povo, conheço a sua vocação de liberdade, creio no poder fecundante da liberdade.
Homem de minha terra, creio nas potencialidades e na viabilidade econômica e social de meu País.
Creio no desenvolvimento como fenômeno global, interiorizado primeiro na alma d'e cada homem, para poder ganhar, então, a alma da terra toda.
Creio na função multiplicadora da empresa, e, porque assim o creio, buscarei fortalecê-la - sobretudo a empresa nacional - encontrando formas e processos de baratear-lhe os custos de produção, para que se fortifique e mais produza. E me empenharei no sentido da utilização racional e efetiva do território brasileiro, na vivificação das estruturas municipais, na atenuação dos desequilíbrios regionais.
Homem de meu tempo, creio no surto industrial brasileiro, em bases estáveis, de vivência nossa, de nosso exclusivo interesse, buscando-se a evolução, o mais cedo que se possa, dos tempos de filial para os tempos de matriz.
Homem de meu tempo, creio na mocidade e sinto na alma a responsabilidade perante a História. E, porque o sinto e o creio, é que darei de mim o que puder pela melhor formulação da política de ciência e tecnologia, que acelere nossa escalada para os altos de uma sociedade tecnológica humanizada.
Homem da Revolução, eu a tenho incontestável, e creio no ímpeto renovador e inovador de seus ideais. E, porque a tenho assim, é que a espero mais atuante e progressista. E, depois de aceito o desafio econômico, eis à nossa frente o desafio tecnológico.
Homem da Revolução, é meu propósito revolucionar a educação, a saúde, a agricultura, para libertar o nosso homem de seus tormentos maiores e integrar multidões ao mundo dos homens válidos. 
E, para isso, convoco a Universidade, chamo a Igreja, aceno à empresa, e brado ao povo para que me ajude a ajudar o homem a ajudar-se a si mesmo.
Homem da lei e do regulamento, creio no primado do Direito. E, porque homem da lei, é que pretendo velar pela ordem jurídica. 
Vejo o plano institucional, destinado a preservar as conquistas da Revolução, vejo o plano constitucional, que estrutura o Estado e assegura o funcionamento orgânico dos Poderes. Estou convencido de que é indispensável a coexistência dessas duas ordens jurídicas, expressamente reconhecida pela Constituição, fundada no imperativo da segurança nacional, e coerente enquanto for benéfica à defesa da democracia e à realização do bem comum.
Homem da lei, sinto que a plenitude do regime democrático é uma aspiração nacional. E, para isso, creio necessário consolidar e dignificar o sistema representativo, baseado na pluralidade dos partidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem.
Creio em que os partidos políticos valem como forças vivas que atuam sobre a vida nacional, quando a dinâmica das idéias prevalece sobre a pequenez dos interesses pessoais.
E espero da Oposição que nos honre com o cumprimento de seu dever, apontando erros, aceitando acertos, indicando caminhos, fiscalizando e fazendo também a sua escola de democracia, dignidade e respeito mútuo.
E, homem de fé, creio nas bênçãos de Deus aos que não têm outros propósitos que não sejam os do  trabalho da vida inteira, os da justiça e os da compreensão entre os homens.
Creio na humanização da vida dos severinos do campo. E na solidariedade da família brasileira.
Creio na alma generosa da mocidade. Creio na minha terra e no meu povo. E creio na missão de humanidade, de bondade e de amor que Deus confiou à minha gente.
E, porque o creio, e porque o sinto, no arrepio de minha sensibilidade, é que, neste momento, sou oferta e aceitação.
E aceito, neste símbolo do Governo da República, a carga imensa de angústias, de preocupações, - de vigílias - a missão histórica que me foi dada. E a ela me dou, por inteiro, em verdade e confiança, em coragem, humildade e união. E a ela me dou, com a esperança acesa no coração, que o vento de minha terra e de minha infância, que nunca me mentiu no seu augúrio, está dizendo que Deus não me faltará, está me trazendo o cheiro de minha terra e de minha gente.
E, com a ajuda de Deus e dos homens, haverei de pôr na mão do povo tudo aquilo em que mais creio."

Gostaria que vocês chutassem de verdade, sem usar ferramentas de busca, de quem provém essas palavras.
O espaço para comentários está aberto.
Podem "chutar" à vontade.

Paz.

4 de junho de 2013

A PSICANÁLISE E A PROPAGANDA NO CONTROLE DA DEMOCRACIA - FINAL?

OU A MÍDIA COMO "REGULADOR TÉRMICO"

No capítulo anterior, vimos o resultado final, a vitória do EU (self) construída através da manipulação da sociedade, deixando-a impotente, incapaz de mobilizar-se contra a tirania totalitária do Estado cujo interesse único além do lucro é a manutenção do poder, manutenção do Establishment. Em 1984 (ano cabalístico) o governador do estado de Nova York, Mario Cuomo, falou umas verdades em seu discurso, mas não adiantava mais porque o objetivo final já havia sido alcançado. O poder estava nas mãos das corporações, que lucravam ao alimentar as necessidades dos indivíduos com produtos. Eis o vídeo:




Eu sei que é um discurso demagógico de um cara bem assessorado, mas não deixa de mostrar as feridas abertas de um país que olhava apenas para sua elite enquanto o povo não tinha poder ou força ou vontade para se rebelar. Esse discurso foi um divisor de águas pois, a partir daí, tudo era permitido uma vez que o povo não se manifestou.

Durante toda essa série de estudos eu usei a América porque a América é a representação do Capitalismo, apesar da Inglaterra e outros países seguirem a mesma linha, a tendência era sempre a de acompanhar o que era feito na América. Além disso eles empurraram sua contra-cultura e o laissez faire goela abaixo de todos nós.

No Brasil não foi totalmente diferente. Aqui, a despeito de ser uma cultura diferente, de termos um posicionamento econômico e social diferente e provinciano, os métodos foram implantados de forma similar, assim como os efeitos causados.

Todos os que chegaram ao poder e/ou levantaram a voz e as massas contra o Establishment foram assassinados. Com exceção de Theodore Roosevelt que por um golpe de sorte assumiu a presidência (era vice) com a morte de William McKinley que havia sido "comprado" pelas indústrias do óleo, aço e elétrica com os industriais J. D. Rockefeller, Andrew Carnegie e J. P. Morgan respectivamente.

Mas manter o controle é um trabalho constante e as mídias se encarregaram de manipular o povo além de blindar o Estado e e munir o Estado de informações. A mídia passou a obscurecer as informações relevantes e a chafurdar a população de notícias irrelevantes. A internet tornou a "Aldeia Global" de McLuhan em um acesso imediato e rápido sobre toda e qualquer informação. Tornou-se fundamental a criação de uma patrulha ideológica (censura mesmo) virtual que filtraria todas as informações ao passo que a mídia oficial nos joga uma avalanche de frivolidades, como pode ser observado em um dos portais de maior acesso do país, por exemplo, mas antes reparem que não há distinção clara entre o que é notícia, esporte ou entretenimento:
Pode-se mensurar a qualidade do portal pelas notícias do ursinho e do "Rindfleischetikettierungsueberwachungsaufgabenuebertragungsgesetz"

O portal supra-citado coloca questões-chave como notícias e dá aos leitores o "privilégio" de poder comentar as "notícias". Essas "questões-chave" muitas vezes são temas polêmicos que usam a dialética hegeliana para, aos poucos, mudar a opinião pública assim como o comportamento e/ou consumo. Todos os comentários são analisados (porque para comentar, é necessário se inscrever com e-mail e demais dados pessoais) por uma equipe que categoriza e qualifica os leitores como consumidores. O jornal é sem dúvida uma ferramenta poderosa na formação de opinião e com o conhecimento da opinião pública adquirido em muitos comentários esse mesmo instrumento fará em pouco tempo outra reportagem a fim de comandar o padrão de comportamento da sociedade. A idéia é massificar o comportamento, os valores e as atitudes. É manter a população sob controle, sendo apenas expectadores passivos. É a mídia fazendo o papel que o exército fazia nos tempos da ditadura. E ainda recebendo apoio do Estado e lucro com os produtos anunciados na parte lateral das reportagens.

Em 1989, nas eleições presidenciais no Brasil, o principal veículo da mídia era a televisão. Então o debate final foi editado propositalmente e colocada uma denúncia de um filho não legítimo de um candidato a presidente. A mídia conseguiu o resultado que interessava as corporações como pode ser visto no vídeo a seguir:


No final do post, colocarei um documentário da BBC sobre o controle que a mídia brasileira exercia no povo naquela que foi a primeira eleição direta do país, após a ditadura militar.

Atualmente, a ferramenta usada para se ter a idéia de quem são as pessoas, suas preferências, desejos e perspectivas é a mídia social. Sim, o Facebook é uma ótima ferramenta. Com ela pesquisadores conseguem dar continuidade aos trabalhos de grupos de pesquisa como o "Values and Lifestyle Team" fizeram na década de 80. Hoje, o Brasil é o segundo país no mundo no ranking de usuários. Duvida? Clique aqui.
Através de ferramentas como Twitter e Facebook o Estado sabe do que o povo fala e toma medidas para antecipar toda e qualquer tentativa de movimento contrário ao status quo defendido por ele, enquanto o gap entre ricos e pobres só aumenta. O usuário dessa ferramenta ainda é imaturo e acha que compartilhar imagens irá retirar um parlamentar de seu lugar. Chega a ser risível essa idéia. Os ativistas de sofá compartilham imagens com frases de efeito despejando suas frustrações. O Facebook é mero regulador térmico. Não precisamos de frases de efeito. PRECISAMOS DE VOZ ATIVA

Os que sofrem de oligofrenia fenilpirúvica compartilham imagens de maus tratos em animais sem saber a veracidade da fonte, se é um hoax (boato) ou se o acusado é realmente o autor de tal feito. O que me impede de colocar uma foto SUA ao lado de um animal moribundo e dizer que VOCÊ É UM ASSASSINO? Até provar que "focinho de porco não é tomada" já comeram sua bunda na cadeia (botou aliança de "quentinha"?). Não percebem que os animais são eles, por compartilhar qualquer merda indiscriminadamente. O único indício de que essa ferramenta funciona é no intuito de localizar pessoas, invariavelmente criminosas. A eficácia em localizar qualquer um, além de assustadora, é a certeza de que o anonimato não existe mais. Ainda mais agora que foi desenvolvida a tecnologia de identificação por intermédio de fotos. Essas mesmas que você coloca no Facebook quando volta de férias. É o controle total Orwelliano. 

A única ferramenta onde o usuário é livre em suas buscas é o Youtube que passou a ser pago mês passado. Clique aqui e confira. Isso é uma forma de restringir as informações. Essa é uma ferramenta onde o espectador é ATIVO! Diferente da televisão. Meu receio é de que a busca do conhecimento, informações políticas e notícias relevantes passem a ser pagas o que fará uma "eugenia social" e irá retirar o único canal que faz o papel de mídia que a mídia NÃO faz. Através do Youtube posso listar vários documentários que em qualquer outro país, faria as pessoas irem as ruas. Hoje, as pessoas dão "unlike" e postam comentários. Saudades do Dr. Enéas:


Outra ferramenta social e política que surgiu e se proliferou tal qual ratos de esgoto é a das petições públicas. O suspeitíssimo Avaaz (CLIQUE AQUI E CONFIRA) travestido de ONG ganha dinheiro com doações para campanhas politicamente corretas que são entregues ao legislativo tão somente para limpar a bunda dos legisladores. Não é eficaz para o povo, mas é um feedback gratuito para o legislativo. Novamente, um regulador térmico.

No Brasil, por seu passado e sua essência provinciana e subserviente, o controle ideológico foi mais fácil e pacífico. Diferentemente de outros países. Mas mesmo assim alguns movimentos são inevitáveis de serem noticiados, porém quando chegam aqui são totalmente deturpados. Veja a resposta do Sociólogo Silvio Caccia Bava à tentativa de manipulação de informação por parte da mídia:


Aqui no Brasil, a tecnologia atingiu um patamar que livra as corporações de qualquer margem de erro. Nossas urnas são eletrônicas. Nós votamos em um software, um programa. Que como o nome diz, pode ser programado. Eu inclusive já falei sobre isso no post: Urna eletrônica: Democracia ou Ditadura?
É. Você que votou no candidato número 1, isso mesmo. O voto foi para o candidato número 2. Se não quiser ver o documentário completo que dura cerca de 32 minutos, veja pelo menos esta notícia da rede bandeirantes de televisão:


Engana-se quem pensa que esses eventos ocorrem somente em municípios longínquos. O controle é total e você não pode fazer nada para impedir ou deter o sistema. Você é consumidor. Você precisa comer, se vestir, trabalhar, viver. Você tem o direito a tudo, menos à liberdade de escolha. Conforme-se com isso ou lute. Não vejo outra alternativa para uma mudança que não venha por intermédio de uma revolução. E toda revolução tem um custo: o sangue. Está disposto a lutar ou vai somente compartilhar?
Por fim, o documentário que eu prometi sobre a emissora e seu controle populacional:


2 Timóteo 3:1-9

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;
Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.
Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.

Essa foi a primeira vez que me aprofundei mais em um assunto tão complexo. Foram um total de 8 posts divididos cronologicamente. Confesso que foi assustador e frustrante ter que dividir, mas era humanamente impossível resumir tudo em apenas um único post. Eu também fiquei frustrado por não fazer uma abordagem mais sociológica porque o ponto de vista era do impacto da psicanálise e da propaganda na democracia. Alguns autores com McLuhan eu falei muito pouco, outros eu sequer citei. É muito difícil escrever e censurar o que escrever diante de um assunto tão pluridisciplinar, tão emaranhado por tendências de diversos tipos.
Para piorar, a minha capacidade de síntese é muito reduzida e minha linguagem não é adequada. Espero melhorar a medida em que escrevo e invariavelmente entrarei novamente nesse assunto em posts futuros porque é praticamente impossível observar tantos acontecimentos que envolvem tantos interesses apenas por um determinado tipo de ótica.
Espero que tenham gostado. Aprendi muito a medida em que escrevia e descobria mais e mais coisas interessantes que viriam ilustrar alguns parágrafos que escrevi. Devo também grande parte da contribuição em debates acalorados com meu irmão que é filósofo, Ricardo. Obrigado a quem teve paciência de ler cada um dos 8 posts. Se pelo menos 1 leitor leu efetivamente todos os posts dessa série e tenha considerado a respeito, já me sentirei recompensado.
PARA VER O ESTUDO NA ÍNTEGRA CLIQUE NOS LINKS ABAIXO:
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
PARTE 5
PARTE 6
PARTE 7

Obrigado e até a próxima.
Paz.

3 de junho de 2013

A PSICANÁLISE E A PROPAGANDA NO CONTROLE DA DEMOCRACIA - parte 7

OU O ELEITOR COMO CONSUMIDOR

Confesso que é difícil manter o foco no tópico uma vez que inúmeras influências sociais, econômicas e políticas exerceram e ainda exercem pressões na sociedade de consumo. Penso que eu deveria fazer capítulos à parte para situar melhor o leitor dentro de um contexto tão suscetível quanto o mercado consumidor. Especialmente quando se trata de pessoas brilhantes como Marshall McLuhan. Inventor da expressão "Aldeia Global" antes mesmo da liberação da tecnologia da internet para fins civis. A cosmovisão de McLuhan o torna a meu ver o pai do Google, por exemplo.
No capítulo anterior, vimos que a corrente científica do MOVIMENTO POTENCIAL HUMANO obteve avanços através da HIERARQUIA DAS NECESSIDADES (criada por Abraham Maslow) no intuito de entender e manipular a sociedade de consumo em prol das necessidades das corporações, que migraram do sistema Fordista para o Just in Time. Para ler o capítulo anterior clique aqui. O leitor através desse link terá acesso também aos capítulos anteriores a partir do primeiro.
Antes de seguir o raciocínio deste capítulo sugiro a quem estiver interessado nesse assunto a aquisição do livro: "Os meios
de comunicação como extensões do mal-estar" de Adriana Bacellar Leite e Santos, cuja sinopse é a seguinte: "Como o mal-estar da civilização se reflete na mídia e, em conseqüência, no cotidiano das pessoas? Num tempo em que até a guerra é transmitida ao vivo, Comunicação e Psicanálise trafegam neste livro que discute o discurso da mídia, em seus mais variados ângulos. Os conceitos do canadense McLuhan de um lado e, do outro, os conceitos freudianos e lacanianos vão marcando as páginas desta obra que enfoca satisfação, desejo, felicidade e todos os seus contrários diante do mercado e do aspecto globalizante e massificante da cultura, com a eliminação da subjetividade. "
Esse livro é muito melhor do que qualquer post que eu tente fazer sobre o assunto. Mas voltemos ao contexto temporal. Precisamente no ano de 1980, durante o processo eleitoral presidencial americano. Ronald Reagan era candidato (mudou do partido Democrata para o Republicano) e seus conselheiros do Instituto de Pesquisas de Stanford entenderam que Reagan ganharia popularidade proclamando uma agenda de um novo individualismo, que atacaria "50 anos de interferência dos governos na vida das pessoas". Jeffrey Bell (Relações Públicas) era encarregado de seus discursos. Bell era diretor do Manhattan Institute for Policy Research. Batizado de ThinkTank pelos jornalistas, esse instituto é uma organização que realiza pesquisa e advocacia sobre temas como política social , a estratégia de política, economia, militar, tecnologia e cultura. Usava os dados do grupo de pesquisas Stanford (mencionado no post anterior).
Bell usou como "mote" de campanha a política de redução de impostos através de reforma tributária para alcançar a popularidade dos eleitores. Sim, os eleitores antes de tudo eram consumidores, e se comportavam como tal inclusive nas eleições.
Em busca de popularidade, aceitação e a "venda do seu peixe", Bell escreveu discursos que prometiam maior liberdade ao indivíduo, tirando do caminho os burocratas e o governo centralizador. A proposta era dar "autonomia" aos estados e o slogan de campanha era: "DEIXEM O POVO GOVERNAR". Esse slogan gerava a sensação individual de recuperar o controle do próprio destino à parte de uma distante elite em Washington.
Essa estratégia política não dizia entretanto que para tudo isso passar a ser possível (redução 'drástica' de impostos) seria necessária uma transferência sistemática de autoridade e os recursos do Estado entregues à iniciativa privada. Iniciativa privada essa, que financiava a campanha de Ronald Reagan. Sendo assim, a eleição estaria condicionada a desestatização dos serviços. Se por um lado os impostos seriam reduzidos, por outro o gasto do contribuinte aumentaria na complementação de serviços essenciais, como o direito a Saúde por exemplo. Opa, isso já chegou ao Brasil com a EBSERH, RioSAÚDE e BrasilSAÚDE, etc.
O instituto Manhattan coordenava a campanha de acordo com suas pesquisas do cidadão como "consumidor". O foco de suas pesquisas estava concentrado não apenas nos efeitos ideológicos dos meios de comunicação sobre as pessoas, mas (seguindo a linha de pesquisa de McLuhan) a interferência destes nas sensações humanas. O Livro de McLuhan "Meios de Comunicação como extensões do homem" foi de fundamental valia para o entendimento do produto criado pelas corporações através da exploração  midiática indiscriminada ao longo do século XX. Ainda de acordo com McLuhan a publicidade consistia em uma vasta operação militar que pretendia aberta e impetuosamente conquistar o espírito humano. A propaganda era a "indústria da linguagem".
Os grupos de pesquisa especializaram-se nos novos consumidores. Os consumidores eleitores que preocupavam-se com sua individualidade.
No início das campanhas eleitorais americanas e inglesas eram costumeiramente e propositalmente usados termos que apelavam diretamente à juventude ou as pessoas que buscavam a auto-realização. Muitos desses eleitores, chamados de "INNER-DIRECTED" auto-guiados, possuíam uma tendência de pensamento voltada às idéias "liberais" do partido Democrata. A equipe "Values and LifeStyle Team" fez uma pesquisa de intenção de votos, e as correlacionaram com suas novas categorias psicológicas confirmando que os auto-guiados seriam a diferença naquela eleição.
Com os discursos de apelo individualista, os Republicanos (conservadores) conseguiram de fato angariar os votos dos Democratas, graças aos esforços dos grupos de pesquisas. Os estudos psicológicos estavam tão avançados que  não se restringiam mais ao antigo método de enquadramento (idade, sexo, classe social). As pesquisas avaliavam profundamente os "valores" das pessoas e esse item passou a ser o principal indicador de avaliação.
No seu discurso após a vitória, Reagan recebera uma América imersa em grave crise industrial, alta taxa de desemprego e alta inflação. Reagan afirmou: "Na crise atual o governo NÃO é a solução para o nosso problema; o governo É o problema."
A aflita economia Americana foi resgatada, não pelo governo, mas pelo que os novos grupos de pesquisa de mercado tinham identificado: Os indivíduos auto-realizadores. Eles estavam para se tornar o "motor" do que seria chamado de "A NOVA ECONOMIA".
A técnica dos grupos de pesquisa era simples; faziam a mesma pergunta várias vezes ao entrevistado, como por exemplo: "O que você realmente quer?", "Para que você quer?", "O que você realmente quer?" de forma que o entrevistado ficava acostumado com as perguntas e passasse a responder normalmente sem qualquer barreira psicológica ou tabu. Essa técnica buscava intimidade com o entrevistado, retirando suas "camadas de proteção". Imaginemos uma pessoa com barreiras de proteção como uma "cebola". Uma a uma as camadas da "cebola" iam sendo retiradas e o entrevistado mostrava suas verdades em pensamentos, comportamentos e crenças; até que os pesquisadores chegassem ao seu núcleo.
Após a criação do "VALUES AND LIFESTYLE TEAM" (VLT) uma nova indústria de pesquisa psicológica de mercado floresceu. E a velha técnica dos "grupos de discussão", inventada por psicanalistas freudianos nos anos 50 passou a ser usada de uma maneira nova e devastadoramente mais eficaz. O objetivo original desses grupos era encontrar maneiras de induzir as pessoas a comprar um leque limitado de produtos produzidos em massa. Agora, os grupos eram usados de maneira diferente para explorar os sentimentos dos grupos de determinados estilos de vida. E a partir dessa resposta, inventar um novo leque de produtos que permitissem a esses grupos expressarem o que pensam ser sua individualidade.
E a geração que uma vez rebelara-se contra o conformismo imposto pelo consumismo, agora o adotava, porque os ajudava a serem eles mesmos. Mas os candidatos também entraram na "grade de consumo" dessas pessoas e a improvável vitória de Reagan corroborou para a validação do "Lifestyle". Os políticos passaram a governar livremente através dos desejos egoístas dos indivíduos. De qualquer forma as corporações sairiam vitoriosas pois financiavam tanto Republicanos quanto Democratas (ou aqui no Brasil, tanto PT quanto PMDB).
Foi uma brilhante vitória do capitalismo, que desenvolveu toda sua indústria de produtos que invocam uma maior sensação de individualidade fazendo da compra uma recompensa, uma auto-afirmação dos "auto-guiados". Que o indivíduo possui a liberdade de ser o que ele quiser. Usaram a filosofia do auto-guiado de forma que esse concordasse com ela. Talvez esse estágio tenha se tornado efetivamente o passo derradeiro do estímulo ao egoísmo, tornando praticamente nula toda e qualquer tentativa de manifestação em benefício social. Dessa forma, toda e qualquer mobilização contrária a política de governo tornar-se-ia um movimento inócuo que, além de tudo, não receberia menção ou apoio da mídia, uma vez que a maioria dos meios de comunicação são uma concessão governamental e se suas reportagens e notícias destoassem dos interesses das corporações e, consequentemente, do governo, poderiam sofrer sansões. Enfim, chegamos a um ponto onde até a rebeldia poderia ser vendida como um produto.


"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade". George Orwell
Então a idéia de que o indivíduo pode comprar uma identidade substituía o movimento primordial Yippie (Youth International Party), de que o indivíduo é perfeitamente livre para criar uma identidade e que VOCÊ É PERFEITAMENTE LIVRE PARA MUDAR O MUNDO, E FAZER DO MUNDO QUALQUER COISA QUE SE QUEIRA. Essa, ironicamente, passou a ser a lei das corporações.
Quem não conseguisse comprar sua identidade ficaria obviamente frustrado por não possuir "identidade própria", gerando frustração e doenças de ordem mental como a depressão por exemplo. Mas até estes são um mercado consumidor. A indústria farmacêutica com seus produtos psicotrópicos tratam a insatisfação crônica daqueles que não possuem "identidade" através de psicotrópicos. Os dados da OMS são alarmantes quanto ao aumento de desordens mentais como a depressão por exemplo.

Fonte: http://www.who.int/mental_health/media/investing_mnh.pdf
Todas as áreas do consumo foram dominadas pelo método VLT. Não havia mais o medo por parte das indústrias com produtos parados pela produção em massa. Os desejos dos consumidores não tinham mais limites e o cartão de crédito viabilizava suas satisfações ainda que esses cidadãos "livres" se tornassem escravos dos bancos de maneira inconsciente. Enfim, o "medo Malthusiano do consumo" das industrias   de que a oferta ultrapassasse a demanda estava quase que definitivamente derrubado.
A partir dessa "explosão" a economia americana foi regenerada, ainda que os indivíduos tivessem se tornado escravos de suas necessidades por intermédio das dívidas, e o "gap" entre pobres e ricos se tornasse cada vez maior.
É o fim da sociedade como a conhecíamos. O que vemos a partir de então são grupos de indivíduos satisfazendo escolhas individuais.
O que foi exaustivamente visto nos episódios anteriores foi o surgimento e ascensão do EU estimulada e promovida pelas corporações. Seus métodos foram adaptados e otimizados no intuito do controle do comportamento da sociedade de consumo com o único objetivo de adquirir lucro e pulverizar as mobilizações sociais para facilitar o controle do Establishment. Abaixo, um documentário revelador sobre o resultado disso tudo:

No próximo capítulo, a mídia como "regulador térmico".

24 de maio de 2013

DISCUTINDO COM UM PRÉ-CANDIDATO

Interrompo a série sobre a sociedade de consumo porque hoje aconteceu o meu primeiro bate-boca com um pré-candidato nas próximas eleições. Trata-se de uma figura canhestra, relativamente desconhecida que entrou em uma comunidade do Facebook na qual eu participo. É um grupo fechado (a pessoa só participa por intermédio de convite de um integrante - como uma tribo mesmo) que discute a política em todas as esferas. 
Acho que isso é um ranço que carrego desde os tempos do Colégio Pedro II e UFRJ. Por mais que eu me sinta mal com ela, a política é como uma cachaça maldita que eu não consigo largar. 
Pois bem, deliberamos muitas coisas, muitas notícias e novidades aparecem de forma que o meu "jornal" eu construo através de links enviados por amigos, além é claro, da minha curiosidade "detetivesca farejadora de sacanagens".
É um grupo democrático com pessoas de fora do estado do Rio de Janeiro, inclusive. Pessoas das mais diversas classes sociais e formações profissionais e acadêmicas ou estudantes secundaristas. Trata-se efetivamente de um grupo heterogêneo, o que nos dá uma ampla gama de pontos de vistas sobre diversos assuntos.
Pois bem, estava (dou a minha palavra) fazendo o novo post sobre sociedade de consumo quando aparece aquele barulhinho parecido com o do antigo ICQ que o Facebook tem e em meio a 8 abas, reparei que havia esquecido o Face (íntimo) aberto. Abri a aba e um homem que eu nunca havia visto no grupo apareceu com um projeto de lei. Ele "gostaria de saber a opinião de todos sobre esse MEU projeto de lei X".  Antes de continuar, lembro a todos que foi um pedido dele. A curiosidade falou mais alto e antes de ler o projeto eu fui ver quem era a tal pessoa. Após futucar o que o usuário mantinha público descobri tratar-se de um pré-candidato(conto com vocês) a Deputado Estadual nas próximas eleições. Vi fotos dele com candidatos que eram inimigos declarados e fizeram uma aliança recentemente para a disputa à cadeira de prefeito nas últimas eleições. Hum, aquilo não me causou boa impressão. Até que eu vejo como forma de citação uma frase de Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). A frase era a seguinte: 
"Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente.”
Hummm, o cara tirou uma frase, se eu não estou errado, do "Beyond Freedom and Dignity", traduzido aqui no Brasil como (eca) "O Mito da Liberdade". Esse livro foi feito imediatamente após o término de Tecnologia do Ensino (1968). Não estou bem certo se é isso, mas o fato é que a frase é do Skinner. Logo, ele pode ser um educador, um behaviorista. Hummmmmm, um provável representante da situação que foi deposta com a entrada do PT e PMDB e quer retomar o lugar perdido. Conjecturei depois de observar as fotos e resolvi não rotular o indivíduo e voltar-me ao tal do projeto de lei. Um projeto de lei da educação. Hummmmmmmm, vindo de um behaviorista não seria uma novidade. Provavelmente não seria uma coisa bo.... - Argh, pare com isso homem, e leia o bendito projeto!
Ao começar a ler eu percebi um subsequente uso de terminologias e símbolos que estavam lá tão só para dar o efeito de uma coisa legal, como se isso fosse um cabeçalho, uma prerrogativa bem amparada por respaldo jurídico, com incisos, artigos e parágrafos que me fez lembrar do Pinocchio no Shrek Terceiro. Eis o vídeo em português para vocês entenderem como me senti ao começar a ler o projeto:


Hehehe. O autor remetia inclusive a LOMRJ (Lei orgânica do Município do Rio de Janeiro) Bom o projeto de lei era o que estava previsto por mim para acontecer nos próximos cinco anos. Mas como as alterações propostas pela Lei nº 414/2008 entraram em vigor no dia 05/04/2013 eu deveria supor que uma lei ou um projeto de lei estava pronto ou engavetado. Para quem não sabe, essa emenda da Lei de diretrizes e bases da educação antecipa a idade de entrada na escola para 4 anos. Só quem é educador tem a consciência desse impacto.
Por um lado, seria bom que eu estivesse com esse projeto na mão porque poderia estudá-lo antes mesmo dele ser posto em votação. Muito embora o meu grupo, apesar de democrático, é defensor de maneira unânime dos direitos constitucionais inalienáveis sendo serviços que são deveres do Estado, como saúde e educação. 
A proposta primordial do projeto de lei era de conciliar as escolas com as creches, fazendo-as uma só unidade. Uma proposta surreal tanto do ponto de vista estrutural-logístico como do pedagógico uma vez que o espaço seria usado em tempo integral por crianças de 0 a 16 anos. O autor não possuía a mínima idéia da magnitude dessa mudança, pensava com meus botões, antes mesmo de eu chegar ao final da leitura.
A medida que eu lia a lei (que possuía apenas onze artigos) eu percebia que o cabeçalho provavelmente era oriundo de um corte-cola porque quem leu as leis que ele citou, não criaria uma lei tão vaga e simplória. E eu penso que o projeto dele (para ele) era um projeto válido e viável. Acredito sinceramente que ele não estava agindo de má-fé. 
Outra prova de que a parte jurídica do cabeçalho era um corte-cola é que o português era impecável, diferentemente da descrição da lei, cheia de erros de português, assim como a justificativa endereçada aos vereadores.
Como ele pediu a opinião aos integrantes do grupo, comecei meu discurso dizendo que apesar da emenda na LDB, não havia consonância com a Lei 11274/2006 que até então não havia sido revogada, e antes de manifestar-me sobre o projeto de lei alertei: 
"A visível incompreensão dos legisladores relativa à importância de se defender uma educação básica de boa qualidade no Brasil, revela uma medida política de pouco respeito pelas crianças pequenas e pouco cuidado com a especificidade da educação infantil.
O modelo da escola brasileira está condenado ao fracasso. Não resolverá o fator QUALIDADE no ensino-aprendizagem, apenas OBRIGANDO as famílias a mandarem suas CRIANÇAS passarem mais tempo dentro de uma ESCOLA. Isso, claro, só servirá para contratações terceirizadas e descentralização da família. Família esta que é a célula máter da sociedade, exercendo papel insubstituível.
Embora eu entenda a pressão mercadológica e que dessa forma os pais têm mais tempo livres para dedicar-se ao trabalho, sou pessoalmente partidário da instituição família. Do contrário, parimos crianças para o Estado fabricar servos.

No entanto, seguem minhas observações sobre o projeto de lei supondo-se q o mesmo seja aceito:

ARTIGO 2° - Adequar as escolas à lei (integração creche-escola)

Mudar-se-á toda a estrutura arquitetônica. A escola terá que se adequar a uma nova necessidade. Isso gera obra, gera custo ao erário público, sem contar com a realocação do corpo discente ou, quando não, suscetibilidade a doenças respiratórias e alérgicas de crianças maiores (da lei vigente 11274/2006) de 6 anos ou a partir da creche integrada no processo de obra, sem mencionar na questão de saúde pública da vacinação adequada, que sequer foi lembrada. Aposto que nem cogitou procurar um epidemiologista!
Sem contar o fator "emergencial" de ajuste que obrigará a adequação de 1426 escolas distribuídas nas 11 CREs existentes. Lembre-se nem todas as escolas são como "Tia Ciata".

ARTIGO 3° - PARCERIA PÚBLICO PRIVADA 
É o que eu estou vendo na saúde e educação com o Saúde Brasil e a EBSERH. Sou definitivamente contra! Parceria Publico-Privada nada mais é que a forma legal da privatização. Sou tão xiita que sou contrário até mesmo ao "Amigos da Escola". A prefeitura TEM OBRIGAÇÃO DE FAZER CONCURSO PÚBLICO PARA QUE PEDAGOGOS E DEMAIS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS POSSAM TRABALHAR, ao invés de um voluntário (sem custos) com boa vontade, mas sem especialização. Isso tira emprego de gente que estuda e se especializa para tal. O resultado influi diretamente no desenvolvimento da criança. Eu não vejo um "Amigos da Escola em colégios como o São Bento, Cruzeiro ou Corcovado. Lá os projetos político-pedagógicos são sérios.
A educação da criança pequena tem como finalidade o desenvolvimento integral em seus aspectos físico, afetivo, intelectual, linguístico e social, complementando a ação da família, e da comunidade (Lei nº 9.394/96, Art. 29). Dessa forma, “o currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico. Tais práticas são efetivadas por meio de relações sociais que as crianças desde bem pequenas estabelecem com os professores e as outras crianças, e afetam a construção de suas identidades” (Parecer CNE/CEB nº 20/2009).

ARTIGO 4° - As escolas seriam geridas SOMENTE por um profissional registrado no CRA
MEDIDA ARBITRÁRIA. Somente o conselho regional de administração? Basta capacitar o docente em gestão pública, acrescentando bonificação salarial pela especialização. Obrigação essa que é do próprio município.

ARTIGO 7° - CASOS DE MUDANÇA DE ENDEREÇO
Vago! 

ARTIGO 8° - TEMPO DE PERMANÊNCIA
Cópia dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) do professor Darcy Ribeiro, que a propósito, é o autor da LDB.

No mais:
Os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil (MEC, 2009) mencionam que a Educação Infantil inclui na Creche, bebês (crianças de até 1 ano e meio) e/ou crianças pequenas (de 1 ano e meio até 3 anos) e no segmento pré-escolar, crianças de 4 até 6 anos. Pensando na qualidade da Educação Infantil e para dirimir dúvidas, as Diretrizes Curriculares de Educação Infantil, aprovadas em dezembro de 2009, indicam que a educação infantil inclui crianças de 0 a 5 anos e 11 meses; de modo que somente aos 6 anos completos inicia-se o ensino fundamental (Art.5º - § 2 e § 3 - Resolução CNE/CEB nº 5, de 17 de dezembro de 2009)."
_______________________________________________________________________

Eu respaldei tudo na lei e em seguida dei a sugestão: 
"Fulano, sugiro que você aproveite que esse ano foi traduzido para o português o livro Maquiavel Pedagogo de Pascal Bernardin, compre e leia.
Sugiro também o livro da Charlotte Thomson Iserbyt, que você pode baixar em PDF nesse endereço: www.deliberatedumbingdown.com
É fundamental que leia também "taxonomia dos objetivos educacionais" de Benjamin Bloom (2 livros).
Saiba que o interesse do Estado é tirar as crianças da mão de seus pais. Sua lei quer colocar a criança direto na escola, tirando dos pais a responsabilidade, o convívio e a autoridade. Leia de Freud o livro "Dissolução do Complexo de Édipo". Ou se quiser, leia esse link
Procure focar a lei em CRIAR CIDADÃOS CRÍTICOS, RECRIAR A ESCOLA, DAR INSTRUMENTOS, MELHORES SALÁRIOS E LIBERDADE AOS DOCENTES PARA QUE POSSAM FAZER DAS CRIANÇAS INDIVÍDUOS, NÃO SERES SOCIAIS APÁTICOS, BOVINOS E LABORAIS.
É interessante ver o Estado Usar métodos psicológicos contra o docente, como a "Psicologia do Engajamento" ou o "pé na porta" por exemplo, mas para os alunos não apresenta solução.
Queremos uma lei para redefinir a ação da escola. A escola atual tem a missão principal de formar o ser social impondo sub-repticiamente, valores, atitudes e comportamento.
Aos pais, resta apenas trabalhar para fazer a economia girar. 
Pediu a opinião, aqui está. Eu achei o projeto de lei ruim, tacanho. Contém erros de português".

Não deu dois minutos e o cara manda sem ler:
"Obrigado pelos comentários, apesar de não concordar com eles".

O que me deixou chateado é que investi mais de uma hora na formulação de minhas idéias e o cara por vaidade cagou para o que eu falei. Então eu provoquei:
"Analisando seu perfil, eis q vislumbro um behaviorista  Boa frase do Skinner, mas lembre-se: são crianças e não pombos". Uma alusão às cobaias usadas por Skinner, que eram os pombos.

O cara ficou puto e respondeu de maneira malcriada:
"Em vez de analisar o perfil dos outros você tinha que analisar o seu, ter um pouco mais de educação e pelo menos ter a coragem de monstra sua cara no face". Isso mesmo, com erro de português. Era só mais um enxerido querendo angariar votos, usando uma página até então limpa. Um Spam vivo! Estava na cara que minhas suspeitas acerca da elaboração da lei estavam certas.

Minha vontade era mandar esse vídeo:  
Mas me contive e respondi:
"Quem é candidato é você. Quem tem que ter a vida descortinada é você. Ou vai querer invadir o meu facebook? Só compartilho o que eu quero com quem é meu amigo. Você pediu uma opinião sobre a lei em uma página pública e eu dei a minha. Essa sua última resposta não convém para um cara que quer se eleger, muito menos me intimida. Existem duas maneiras de se absorver uma informação: Negando-se a ouvir por vaidade ou então considerar de verdade. A última opção é mais madura que a primeira. Ah, e é "mostraR sua cara", não "moNstra sua cara."

Não terminou por aí. O cara achava que era debate e queria direito a tréplica:
"O problema de quem fala o que quer, houve também o que não quer, eu também não gosto de falar com uma coruja. Um grande abraço para você fica com Deus". E ainda pagava de bom moço, crentão! A coruja é por causa do meu atual avatar, já que não gosto de expor minha cara ou minha intimidade na internet. Embora seja da família das corujas, meu avatar é um Urutau.
Putaqueopariu!!!!!!!!!!!!
Eu estava falando com um candidato que mal sabia escrever. Quanto ganha um Deputado Estadual? Na hora eu pensei em encerrar a conversa com o seguinte vídeo porque entrei em depressão ao tentar comparar o meu contracheque com o de alguns membros do legislativo que lá estão, sabendo de suas capacidades intelectivas:



Mas o "houve" falou mais alto:

"Eu sou um Urutau. E é 'ouve' e não 'houve'."

E depois de algum tempo eu ainda acrescentei:
"Vivemos em uma "democracia" e temos que respeitar os seus direitos. Se é democracia de fato é outra história. Se você acha válida a idéia, tudo bem. Eu coloquei aqui pontos discordantes que você pode ou não usar se quiser reformular seu projeto. Mas por favor, consulte um epidemiologista e veja os riscos que as crianças de 0 a 3 anos estão expostas. O ambiente invariavelmente será potencialmente contaminado, com crianças mais velhas como contactantes. As chances de doenças infecto-contagiosas são grandes. Vivemos hoje no estado do Rio de Janeiro uma epidemia de tuberculose. Isso sem contar na necessidade de vigilância porque a violência infantil bate recorde a cada ano e esse, pode ser mais um canal se não for bem estruturada a idéia. Embora eu entenda que a motivação desse projeto seja a pressão mercadológica e que dessa forma os pais têm mais tempo livres para dedicar-se ao trabalho, sou pessoalmente partidário da instituição família. Do contrário, parimos crianças para o Estado fabricar servos. Pessoalmente eu duvido que em colégios como Cruzeiro, São Bento ou Corcovado tenham um Projeto Político Pedagógico que permita isso. Mas vivemos em um sistema político em que você é livre para fazer o que você quiser. Cabe a sua consciência perceber se há a necessidade de reformulação para verificar uma possível aplicabilidade ou se você quer empurrar do jeito que está apenas como "mote" de campanha. Essa comunidade da qual você faz parte está cheia de indivíduos, não somos massa. Aqui não tem otário. Estamos de olho em todo o legislativo e caso você seja eleito, estaremos de olho em você também. Nós somos o efeito colateral disso tudo. Somos o aparelho ideológico social, contra o corporativismo partidário. Um abraço"!

E nada mais foi dito, graças a Deus.

Apesar de parecer engraçado, minha preocupação com o legislativo é que as leis são votadas por corporativismo político e não por sua utilidade, viabilidade ou aplicabilidade. Na maior parte das vezes as leis são criadas por pessoas leigas e aprovadas por pessoas igualmente leigas. Há de se ter um controle, um estudo prévio, ao menos um curso e o candidato deve especializar-se em determinada área de atuação. Produtividade no legislativo não deve ser mensurado necessariamente pelo número de propostas, há de se criar um outro meio. O caso é ainda mais grave por se tratar da formação de crianças.
Como eu disse antes: "A visível incompreensão dos legisladores relativa à importância de se defender uma educação básica de boa qualidade no Brasil, revela uma medida política de pouco respeito pelas crianças pequenas e pouco cuidado com a especificidade da educação infantil."

Não falo o nome da figura, nem o partido dele. Mas ele vem aí com alguma força nas próximas eleições. Conto o "milagre", mas não conto o nome do "santo".

Semana que vem eu termino o capítulo 7 sobre o tema "Psicanálise e propaganda no controle da Democracia" e posto pra vocês. Até lá.
Enquanto isso, fiquem com a trilha sonora do dia:


Paz.

7 de maio de 2013

A PSICANÁLISE E A PROPAGANDA NO CONTROLE DA DEMOCRACIA - parte 6

Or THE VICTORY OF THE EGOISM

Essa é a primeira vez que divido o post em partes através de uma evolução temporal, portanto caso o leitor tenha chegado primeiramente a esse post, peço a gentileza de ler os capítulos anteriores. Caso não queira, tudo bem. Obrigado por ler este tópico assim mesmo. Mas se você é aluno e está em busca de um trabalho fácil para copiar e colar, é importante ler os capítulos anteriores para tirar uma boa nota. hehehe.
Clique abaixo para seguir a sequência e entender a linha de raciocínio.


No capítulo anterior, através das idéias de Wilhelm Reich, Ernest Dichter, Fritz Perls e institutos como o Esalen mudaram a estrutura da cultura de consumo mais uma vez. A relação entre Corporações e sociedade de consumo é simbiótica, embora seja clara a tentativa de controle por parte das corporações. A cultura americana passava, no final dos anos 60, por um processo individual de auto-exploração, onde o cerne era o desenvolvimento do "EU".
Se por um lado os novos "eus" tornaram-se de certa forma imprevisíveis, eles se tornaram assim por força e influência do próprio mercado através de métodos psicanalíticos como o método de discussão de Ernest Dichter usado no Instituto Esalen por exemplo. Mas as corporações estavam a procura de aumentar os lucros e isso só seria possível se o mercado se diversificasse. O Fordismo estava com os dias contados. Era chegada a hora de preparar a população para o que seria o sistema "Just in time" ou sistema Toyota.
O Psicanalista (principal responsável por pesquisas de mercado) Daniel Yankelovich passou a monitorar a origem e os porquês dessa nova sociedade que se tornara imediatista, materialista e, principalmente, egoísta.
As seguradoras (também representadas por Yankelovich) foram criadas tendo por base a ética protestante, onde o indivíduo se sacrifica pelo futuro (altruisticamente). Mas se o indivíduo preocupa-se apenas com o presente, não enxerga por exemplo, a necessidade de fazer um seguro de vida. Esse problema seria facilmente resolvido através de "vendas casadas" em caso de concessão de crédito imobiliário, pouco tempo mais tarde. A obra "Ética protestante e o espírito do Capitalismo" de Max Weber é um livro altamente recomendado para entender a sociedade de Livre Mercado e produção em massa da primeira fase do Capitalismo.

Inicialmente, Yankelovich creditava esse padrão de comportamento ao radicalismo político como ocorreu com o caso do grupo WEATHERMAN (narrado no post anterior) que desafiaria o poder do Estado através da imposição de uma nova cultura que foi sutilmente sugerida pelo próprio Estado no intuito de manter o controle, aumentando os lucros e produtividade ao mesmo tempo em que retira a unidade da sociedade (acabando com qualquer tentativa de mobilização social uma vez que a regra vigente passa a ser o individualismo).
O Comportamento de Contracultura era a externalização do "eu interior" e Yankelovich percebeu que até a Contracultura era consumidora. Os Hippies eram o estereótipo desse modus vivendi e Yankelovich percebeu que esses indivíduos não queriam fazer parte dos "estratos definidos" da sociedade. O que eles queriam era expressar seu individualismo e originalidade através de produtos. Desejavam ser diferentes em um mundo conformista. Tudo o que conseguiram foi criar um novo estereótipo, muito embora suas idéias fossem favoráveis (ainda que de maneira inconsciente) a idéia que as corporações tinham da nova sociedade de consumo a ser criada.
Criaram-se GRUPOS OPERACIONAIS pelas corporações para descobrir como atingir esses novos indivíduos em suas propagandas. Para isso era necessário criar uma variedade enorme de produtos. Os indivíduos ameaçavam o modo de produção vigente que teria (já estavam preparados para essa mudança) que se adequar à nova demanda. A indústria automobilística tornou-se mais competitiva com um aumento na variedade de carros, assim como as suas cores e seus itens opcionais.
Além das idéias de Wilhelm Reich, Ernest Dichter, Fritz Perls e institutos Esalen, há de se adicionar um importante fomentador dessa nova tendência cultural de diversificação. Trata-se de WERNER ERHARD, criador do curso EST (ERHARD SEMINAR TRAINING). Nesse curso, ele estimulava a autenticidade e individualismo das pessoas através de uma simbiose dos métodos de Esalen e do MOVIMENTO POTENCIAL HUMANO (MPH). O MPH apesar de ter um caráter científico e sério como os trabalhos de Abraham Maslow, também possuía uma verve de um tipo de humanismo místico, esotérico e ocultista. Uma das pessoas mais influentes dessa corrente ocultista era George Ivanovich Gurdjieff. A pretensão do MPH ocultista era resolver problemas psicológicos, físicos e espirituais através de terapias alternativas como a de Werner Erhard. Os indivíduos saiam do treinamento de Werner acreditando que pensar em si mesmo era um DEVER, não um egoísmo.



Abro um parêntese para colocar uma opinião particular:
Existe diferença entre individualismo, e individualidade.

O psiquiatra Augusto Cury, em seu livro “Nunca desista de seus sonhos” define bem.
“Há uma grande diferença entre o individualismo e a individualidade. O individualismo é uma característica doentia da personalidade, ancorada na incapacidade de aprender com os outros, na carência de solidariedade, no desejo de atender em primeiro, segundo e terceiro lugar aos próprios interesses. Em último lugar, ficam as necessidades dos outros.
A individualidade, por sua vez, está ancorada na segurança, na determinação, na capacidade de escolha. É, portanto, uma característica muito saudável da personalidade. Infelizmente, desenvolvemos freqüentemente o individualismo e não a individualidade.”
pag. 63

Creio que a individualidade pode ser ou não seguida de altruísmo. Se eu posso beneficiar outrem sem prejudicar a mim mesmo ou a quem eu amo, ok. Faz parte da minha moral (independente de pressões religiosas) para que se viva em um mundo melhor. Terei agido de acordo com minha individualidade sem ser altruísta. Se eu abrir mão do meu bem estar ou da minha família para ajudar a outrem (o qual não tenho nenhum laço afetivo), apesar do poder da minha individualidade, terei sido altruísta. Cabe a mim discernir se é válido ou não.
Lembrando: Muitas religiões ou nações com posições políticas determinadas, seja comunista, capitalista, sionista ou nazista pregam ou pregavam o altruísmo, auto-sacrifício, abnegação ou renúncia. Esses são protagonistas de invariáveis massacres do povo, pelo próprio povo. Portanto, nesse caso, o altruísmo é uma falácia tal qual a democracia. Veja se um Valdemiro Santiago seria capaz de ter uma atitude altruísta. A única coisa que ele dá é uma toalhinha suada que é disputada a tapas e usada de maneira idólatra pelos evangélicos. Através do altruísmo e renúncia, pessoas morreram de fome para engordar os cofres da igreja (católica ou protestante). No tocante à política, toda a ditadura (até mesmo nas chamadas democracias como no Brasil) é baseada no altruísmo e auto-sacrifício. Fim do parêntese.


A influência de Werner Erhard foi tal que os artistas, músicos e maiores líderes de movimentos estudantis foram influenciados por ele. Um exemplo é o Líder Yippie (Youth International Party) Jerry Rubin. Ele que era um sociólogo influente e principal ativista contra a guerra no Vietnã, participante de inúmeros protestos estudantis e de direitos humanos, largou o grupo de estudantes. Ele afirmou que após fazer o curso EST abandonou a idéia de sacrifício e passou a não se importar tanto com as injustiças como antes. Nos anos 80, passou a ser um importante homem de negócios. Faleceu em 1994.
De acordo com Werner Erhard o importante era libertar o ser humano de suas limitações. Na verdade a proposta de liberdade era tão plena que não haveria liberdade fixa, ou seja, você pode fazer o que quiser. Este pensamento está em conformidade com um movimento que ocorreu no Brasil chamado de MOVIMENTO CONCEPCIONISTA. O movimento concepcionista possuía 10 mandamentos, são eles:

1 - Morte ao ego.
2 - Ser uma nova personalidade a cada dia.
3 - A lembrança do dia passado deve ser apagada do consciente. A memória é inútil para explicar a morte.
4 - As pessoas estão doentes de si mesmas, o concepcionismo é a melhor auto-ajuda.
5 - Todo concepcionista deve dormir nu, como uma purificação.
6 - O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.
7 - Só nós, os concepcionistas, somos capazes de abolir o dinheiro.
8 - Não queremos nada. Sobreviver já é o bastante. O contrário também.
9 - Toda pessoa ligada à concepção tem validade de apenas um dia. Assim como suas opiniões. Somos todos descartáveis e a felicidade faz parte da sorte. Somos uma fraude que dura 24 horas.
10 - Tudo que foi dito deve ser esquecido agora.
Abaixo, trecho do filme de José Eduardo Belmonte que levanta essa questão:
Esse movimento aconteceu principalmente e coincidentemente em Brasília, abrindo precedente para uma diversidade de crimes de falsidade ideológica, estelionato entre outros. O Ator Matheus Nachtergaele trabalhou bem nesse longa, embora o filme seja nojento e constrangedor a meu modo de ver. Nota: esse movimento não tem nada a ver com um movimento homônimo de cunho religioso.
O treinamento de Werner Erhard funcionou em favor do Estado (por enfraquecer os movimentos sociais que lutavam por direitos, por não precisar ser acusado de assassinato por ninguém como o caso do presidente Kennedy em 63 ou Martin Luther King Jr em 68) e a favor das corporações que introduziram um novo método de produção. Mantendo a estrutura Taylorista as corporações passaram a adotar o Just in time.


O modelo fordista anterior funcionava da seguinte maneira:

FÁBRICA → PRODUÇÃO EM MASSA → PROPAGANDA → CONSUMO.

O Just in Time ou Toyotismo que passou a vigorar funciona da seguinte maneira:

PROPAGANDA → NECESSIDADE DE CONSUMO → FÁBRICA → PRODUÇÃO → CONSUMO.

Mais uma vez as corporações recorreram à psicanálise como ferramenta para poder entender o que essa nova geração desejava e fabricar produtos para esses indivíduos serem o que quisessem ser. Esse estudo foi feito pelo Instituto de Pesquisas de Stanford, que trabalhava tanto para corporações quanto para o Governo.
Em 1978 um grupo de economistas e psicólogos de Stanford decidiu encontrar um meio de LER, MEDIR E ATENDER os desejos desses consumidores "imprevisíveis". A idéia era criar uma ferramenta rigorosa para medir um amplo espectro de valores e desejos que até então eram ignorados. A geração anterior era consumidora passiva, já a atual era voraz e pretensamente ativa.
O grupo de pesquisadores de Stanford era capaz de identificar não somente as necessidades básicas, mas desejos individualizados de todas as classes sociais e intelectuais. Isso segmentou ainda mais a sociedade de consumo. E os psicanalistas responsáveis por mapear os desejos dos consumidores foram os mesmos que insuflaram a "libertação" do indivíduo. Em particular um dos líderes da corrente científica do MOVIMENTO POTENCIAL HUMANO, o psicólogo Abraham Maslow.
Através das observações dos trabalhos em lugares como Esalen (cobaias humanas), Maslow inventara um novo sistema de classes psicológicas. Ele o chamou de HIERARQUIA DAS NECESSIDADES, que descreveria os diferentes estágios emocionais pelos quais as pessoas passavam à medida que liberavam seus sentimentos.

No topo estava a auto-realização. Aqui os indivíduos são completamente orientados a si, e livres da sociedade. A equipe de Stanford usou a pirâmide de Maslow para uma nova categorização da sociedade. Não por classes sociais, mas por desejos e impulsos psicológicos diferentes. E os padrões de comportamento desses grupos distintos passaram a chamar-se: "Estilo de Vida" ou Life Style.
Entre os grupos de consumo, um deles chamou a atenção das corporações: Os experimentadores.
É um grupo que busca o crescimento interior através de experiências diretas. É o grupo do "tente tudo um pouco", e toda essa atividade demanda produtos e serviços. Seus Hobbies são passageiros e suas posses simples, mas nem sempre baratas.
Através de leituras como essa, um indivíduo poderia ser enquadrado em diferentes subgrupos. Isso permitiu aos empresários identificarem quantitativamente e qualitativamente quais grupos estavam comprando seus produtos. E desses, quais produtos poderiam ser divulgados de maneira a se tornarem PODEROSOS SÍMBOLOS DOS VALORES E ESTILOS DE VIDA desses grupos, inicialmente de maneira ofertiva e posteriormente compulsória, porque para conseguir determinada identidade o indivíduo submete-se a esforços desproporcionais e tão irracionais para comprar um produto como os indivíduos afetados pela política de Edward Bernays que citei no primeiro post dessa série.
Além de identificar os grupos e subgrupos, as pesquisas do grupo de Stanford eram capazes de prever o estilo de vida, que tipo de casa e carro um indivíduo pode desejar de maneira tangível, porque se um novo produto expressa os valores de um grupo particular, ele será comprado por eles.
Em breve esses grupos não mostrariam apenas os produtos que iriam comprar, mas também as tendências políticas e em quem iriam votar. Mas isso é assunto para o próximo post. Continua...