19 de março de 2012

Os malefícios da Leitura

Caros leitores, lhes trago uma triste constatação sobre a leitura. Ao mesmo tempo em que ela é fundamental e necessária para se exercer a cidadania, tornar uma pessoa em um ser crítico e pensante ao invés de um ser bovino que repete continuamente qualquer pré-conceito estabelecido por qualquer meio de comunicação, professor ou líder religioso. A leitura pode também se tornar potencialmente perigosa para o leitor. Não o leitor ruminante (praticamente irrecuperável dos submundos da caverna, Matrix ou Bigbrother), mas o leitor crítico. Estranho, não é? Vou tentar explicar.
No excelente estudo "A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO." de Giane Carrera Cardoso e Rita de Cássia Borguetti Peloso, os autores fazem a seguinte afirmação:
"O ato de ler é imprescindível ao indivíduo, pois proporciona a inserção do mesmo no meio social e o caracteriza como cidadão participante. A criança aprende a ler antes mesmo de entrar na escola, nas situações familiares." mais adiante prosseguem sua linha de raciocínio: "as crianças são inseridas no meio escolar, na verdade sem ao menos saber o porquê de ter que frequenta-lo, ou seja, para elas é uma relação obrigatória, a qual a escolha é feita pelos adultos que os mandam passar grande parte de seu dia em um ambiente até então desconhecido, onde tudo é planejado e  organizado pelos adultos. Quando inicia a leitura, todas as instruções e referências são ministradas pelo professor e ao aluno cabe se adaptar cumprindo as exigências e os processos de trabalho que lhe são impostos. Isto causa desmotivação, pois os discentes não possuem opções para construir uma leitura criativa que tende inseri-los no fantástico mundo da leitura, conseqüentemente no mundo da escrita."
A partir desta introdução os autores mencionam a importância da leitura e da escrita na formação do indivíduo. Indubitavelmente a leitura é importante sim, não é isso que quero questionar. Minha pergunta é: A partir do momento em que você é um indivíduo, um cidadão formado com suas crenças e seus pontos de vista, como dirigir a sua leitura? Quem já leu "O Alienista" de Machado de Assis vai entender o que eu vou falar.
Muitas pessoas prosseguem as leituras em livros de ficção ou em estudos que continuam suas linhas acadêmicas de pesquisa. À margem disso tudo, no cotidiano, lemos os noticiários (que poderiam fazer-nos o favor de denunciar, auditar e proteger como rege seu juramento ao invés de entorpecer com notícias irrelevantes sobre quem foi a gostosa que foi à praia ou quem foi o maníaco que deu um cascudo em um Yorkshire) ou em momentos de descompressão, buscamos assuntos interessantes ou engraçados, etc. Alguns descambam para a procura de pornografia, outros mergulham em assuntos diversos que não necessariamente tem relevância direta ou construtiva. Mas a minha questão ainda não é essa. O que procuramos em nossas leituras? A leitura poderia trazer malefícios? As patologias da psiquê descritos através da escola freudiana podem direcionar sim a leitura para campos que podem prejudicar a sanidade do leitor. 
O conteúdo existe independente das pessoas. O interesse move o leitor ao tipo de leitura de sua preferência. Uma vez tendo uma perversão patológica, o leitor pode sim enveredar por caminhos, correntes de pensamentos que podem converter, validar ou fazer com que o leitor siga uma linha de pensamento determinada, mesmo sendo uma corrente de pensamento nociva. Isso ocorre porque normalmente ao ler sobre um determinado assunto, procuramos as respostas que queremos ouvir. Se o que queremos ouvir é alguma coisa doentia, existe um universo enorme de pessoas que, tão doentes quanto nós, defendem suas idéias e ganham nossa simpatia. É muito difícil, mesmo sendo um leitor crítico, sem um mediador imparcial, encontrar uma corrente de pensamento clara e inconteste. Um tema que seja relevante e construtivo que mostre não uma, mas duas ou mais formas de pensar um determinado assunto, citando fontes.
Procurando na internet, não encontrei nada ou quase nada sobre os malefícios da leitura.
No mundo de hoje, temos recursos que transcendem à leitura, mas seguem a mesma linha de raciocínio. Um exemplo é o Youtube que pode nos dar mensagens de esperança, mostrar as mazelas do mundo ou como qualquer veículo de informação, deturpar a verdade a seu bel prazer.
Façamos uma analogia do conhecimento comparando-o a um rio. Estamos pois nos meandros de um perigoso rio que pode nos levar a alienação, a uma busca sem resposta, aos lugares mais recônditos e abjetos que sugam nossa sanidade, levar ao lugar que julgamos dentro de nossa zona de conforto ou pode nos levar a verdade, que seria o nosso porto seguro. Mas o que é a verdade? É difícil, senão impossível chegar à verdade se as palavras, conceitos e julgamento podem ter uma significância diferenciada para as pessoas ou mesmo ambíguas para estas.
Na minha concepção, a verdade é encontrada em Jesus (João 3:5, João 6:47, João 8:32, João 8:45, João 10:7, João 14:1, João 17:17, 1 Timóteo 2:4, 2 Timóteo 4:4 etc.), mas para a maioria dos leitores pode ser que não. 
Porque para mim, além da ciência, está a fé a qual não posso provar pois é uma experiência minha. Por mais que eu propale a minha fé, este é um caminho que será indubitavelmente um divisor de águas que muitos outros leitores fatalmente não concordariam e seguiriam para outra parte do "rio", mais calmas para estes e mais turbulentas para mim.
O fato é que pessoalmente as minhas últimas escolhas de leitura tem me adoecido. A medida em que descubro alguma coisa escandalosa referente ao meu país, meu estado, meu município ou mesmo um evento histórico eu procuro, busco e encontro fontes que me deixam cada vez mais pessimista do ponto de vista filosófico. "Vigiar e Punir" foi minha última leitura, que me fez refletir no que eu estava me tornando.
Como vocês puderam perceber nos meus últimos posts, eu pesquisei muitas coisas e o que eu publiquei não era definitivamente o que eu queria publicar porque sei que não vivemos em uma democracia. Podem ter certeza que as coisas que eu encontrei foram coisas que me deixaram doente, um ser humano amargurado. Isso reverberou até no meu comportamento, tornando-me uma pessoa beligerante e intransigente. Confesso que foi difícil deletar todo o conteúdo de cerca de 8 posts, mas ao ler os scripts desses posts percebi que estava desvirtuando o propósito deste blog. Não quero me tornar um denuncista, não quero formar a opinião de ninguém, quero que este seja um refúgio de desabafo, de causos e crônicas. Quero voltar a sorrir, quero voltar a falar de amenidades e a minha última trajetória de leitura me tornou azedo, taciturno e mau. Não quero me tornar a imagem e semelhança daqueles os quais obtive informações escrotas. Percebi que o meu próprio blog passou a me fazer mal. Estou colocando um ponto nisso, antes que eu não me reconheça mais. Não é definitivo, porque simplesmente não sou cego. Tenho que encontrar um ponto de equilíbrio para que eu possa prosseguir sem que isso interfira na minha vida pessoal e profissional. Não vou simplesmente abstrair as idiossincrasias do porvir. Quando me sentir violado como cidadão, vou me manifestar sim.Não vou dizer que eu abro mão dos fatos para viver na caverna de Platão. Apenas vou mudar o foco durante um tempo para resgatar minha sanidade, afinal de contas, estou com saudade de mim. Saudade de ser o cara que fazia crônicas e contava histórias nesse mesmo blog, que era engraçado e mais tolerante. Não, não vou me alienar. Vou tentar abstrair um pouco esse mundo hostil, ditatorial, opressor, perverso e injusto em que vivemos. Vou acabar por desenvolver um câncer com o lixo que tenho consumido e o mundo vai continuar a existir da mesma forma maligna que sempre existiu. Voltarei a ler coisas mais otimistas, leituras mais leves. Quem sabe volto ao livro "O menino que espiava pra dentro" de Ana Maria Machado, que pode ter sido o "start" que me levou um dia a me tornar blogueiro.
A inspiração para que eu me tornasse blogueiro foi esse livro.
O livro do filósofo Stefan Bollmann "Les Femmes Qui Lisent Sont de plus en plus dangereuses" (Mulheres que leem são perigosas) é um excelente exemplo disso tudo. As mulheres tiveram seus direitos sonegados por eras. Quando pois, foi dado a estas o acesso a leitura e uma educação não direcionada à subserviência, houve uma revolução. Esta entrou no mercado de trabalho e hoje, mesmo ainda discriminada, está a ganhar gradativamente espaço no mercado de trabalho. No meu caso em particular, não quero uma "revolução" do pensamento. No momento não estou preparado, não possuo sanidade para isso. Falta-me o equilíbrio. E creio que tenho ainda a acrescentar como cronista. Não quero adoecer o pensamento de meus leitores, assim como os meus pensamentos adoeceram. Acredito que posso contribuir com coisas lúdicas, com parábolas e links de pessoas sadias que possuem palavras de sabedoria para confortar o meu coração e dos meus leitores. Embora por vezes eu, como cidadão, tenha que me manifestar neste espaço. 
Seguem alguns links de posts que me orgulhei em escrever. Basta clicar no link para conferir:

No mais, acho que é isso. Para o meu bem e o bem dos meus leitores, voltarei em breve com coisas lúdicas para discorrer. A menos que alguma hecatombe ocorra, durante um bom tempo, meus tópicos serão mais sadios.
De acordo com Ghandi eu posso ser a mudança que desejo ver no mundo, então, mudando de estratégia, termino com um discurso bem conhecido de um filme genial que representa a minha esperança.

Até Breve e cuidado com o que lêem.
Paz.

4 comentários:

  1. me falem os 10 maleficios não uma vida de maleficios seus burros!e tambem resumam isto se não seu site não vai dar lucro!hahahahahahaha

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    1. Primeiramente, esse blog não possui nenhuma intenção de lucros, apesar da impertinente insistência do blogger querer me empurrar o Adsense. Como invariavelmente meus posts possuem conotação cristã eu não quero receber nada, se a palavra de salvação me foi dada de graça.
      Mesmo porque já possuo um salário satisfatório no meu cargo público. A intenção do blog, como já expliquei em vários posts, é ser e permanecer amador. Não sou um autor acadêmico, muito embora eu tenha o costume de citar fontes ou indicar livros. Faço questão de não se-lo. O amadorismo me dá a liberdade de ser um autor generalista e ter compromisso apenas comigo mesmo.
      Fico feliz que tenha lido o post e apesar da ofensa, não me senti incomodado e sim preocupado.
      Esse papo de os 10 malefícios, 10 maneiras de agarrar alguém, 10 maneiras de "Whatever"... são típicas de pessoas preguiçosas que querem a fórmula mágica para tudo, tem preguiça ou idiossincrasia à reflexão. Estas listas cabem mais a proposta do site lista10.org. Ou isso, ou o amigo pode comprar uma revista "contigo", "capricho", etc. Infelizmente você aparentemente não faz parte do meu pequeno grupo de leitores habituais e por isso, talvez, tenha escrito de forma tão irreverente o seu comentário.
      O objetivo do blog é instigar, causar até um certo mal estar, fazer com que o leitor reflita. Por isso, que não listo em 10 ou mais motivos para qualquer coisa. Isso quem faz é a Ana Maria Braga ao dar "uma receita de bolo". Se você gosta de receita pronta, realmente você não vai encontrar em mim um bom blogueiro. Honestamente o problema é inteiramente seu. Mas se você prefere ter um senso crítico, fugindo de uma sociedade bovina e volátil através de listinhas, e decidir abrir sua mente, seja bem vindo.
      Deixo os comentários totalmente desbloqueados para que as pessoas falem o que "der na telha". Apesar de não acreditar em Democracia, no meu blog, deixo que façam comentários da maneira que melhor lhe convém. O meu espaço é democrático. Espero que tenha gostado do post, e espero não te-lo influenciado negativamente no sentido de não se tornar um seguidor.
      Me desculpe qualquer erro de concordância, mas estou sob efeito de um anti-alérgico e estou um pouco grogue. Seja bem vindo e críticas são sempre bem vindas. Paz.

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    2. Ah, esqueci de mencionar se o anônimo Oráculo de Delfos é o espírito zombeteiro do Steve Jobs, eu fico honrado com o comentário. Em caso de negativa, o comentário me permanece bastante pueril. Mas como sou democrático, não apago comentários.

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  2. Achei legal....há pessoas que passam horas lendo, dormem tarde para ler....vão visitar alguém e levam o livro pra ler...e aí se isolam do mundo e vivenciam o que lêem e isso não deve ser bom....pois acho que pode tornar um ser frustrado ao se deparar com a realidade

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